Adeus ao dólar? Lula propõe nova ordem econômica global

Lula ataca uso do dólar em viagens internacionais e confirma candidatura a 4º mandato em 2026, às vésperas de encontro com Trump; China e EUA abrem negociações comerciais na Malásia

Por G1 Mundo - Atualizado em 25 de outubro de 2025, 14h32 (horário de Brasília)

Em um dia marcado por declarações bombásticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente o domínio do dólar americano nas transações globais durante visita oficial à Indonésia, reforçando a agenda de desdolarização defendida pelo Brasil no G20 e no Brics. Às vésperas de um encontro histórico com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcado para este domingo (26), Lula também confirmou que disputará um quarto mandato nas eleições presidenciais de 2026, aos 81 anos de idade. Paralelamente, do outro lado do mundo, China e Estados Unidos iniciaram negociações comerciais na Malásia, em um esforço para evitar uma escalada na guerra tarifária que ameaça o comércio global.

Mapa que mostra quais países asiáticos estão a aproximar-se da ...

Lula na Indonésia: "Chega de dólar ditando as regras do mundo"

Ao lado do presidente indonésio Prabowo Subianto, em Jacarta, Lula subiu o tom contra o "protecionismo" e o uso excessivo da moeda americana, propondo parcerias comerciais bilaterais com moedas locais, como o real e a rupia indonésia. "O dólar não pode ser o xerife do mundo. Precisamos de comércio justo, sem barreiras impostas por quem tem o maior PIB", declarou o petista durante reunião no Palácio Merdeka, residência oficial do líder asiático. A fala ecoa propostas antigas de Lula, como uma moeda comum para o Brics, que ganhou força em julho de 2025 durante cúpula em Kazan, na Rússia.

A crítica chega em momento delicado: Trump, reeleito em novembro de 2024, prometeu tarifas de até 60% sobre importações chinesas e 10% sobre produtos de outros países, incluindo o Brasil. Analistas veem a declaração de Lula como um recado direto ao americano, que assumiu a Casa Branca em janeiro deste ano com agenda "America First". "É uma jogada diplomática ousada. Lula está posicionando o Brasil como ponte entre o Sul Global e o Ocidente", avalia o professor de Relações Internacionais da USP, Oliver Stuenkel.

Governos dos EUA e do Brasil acertam encontro entre Lula e Trump para domingo (26) | InfoMoney News

Quarto mandato? "Tenho energia de 30 anos", diz Lula sobre 2026

Em meio às discussões econômicas, Lula surpreendeu ao confirmar publicamente sua pré-candidatura à reeleição em 2026. "Eu tenho energia de 30 anos e vou disputar um quarto mandato no Brasil", afirmou o presidente, que completa 80 anos no próximo dia 27. A declaração, feita durante coletiva de imprensa conjunta com Subianto, põe fim a especulações sobre sua sucessão no PT e reacende o debate sobre limites de idade na política – tema que ganhou tração com a vitória de Trump, de 79 anos.

Apoiadores celebraram a notícia nas redes sociais, com hashtags como #Lula2026 trending no X (antigo Twitter). Críticos, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, reagiram com ironia: "O Brasil precisa de renovação, não de eternidade", postou o bolsonarista. Pesquisas recentes do Datafolha indicam que Lula mantém 45% de aprovação, mas enfrenta desgaste com inflação e reformas fiscais. O encontro com Trump, agendado para Washington, pode ser um teste para sua imagem internacional – e doméstica.

China e EUA na Malásia: Negociações "construtivas" para evitar guerra comercial

Enquanto Lula dialoga na Ásia, as duas maiores economias do planeta, China e EUA, abriram uma nova rodada de negociações comerciais em Kuala Lumpur, na Malásia. O anúncio veio nesta quinta (23), com delegações chefiadas pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o vice-premier chinês, He Lifeng. O foco é evitar a escalada de tarifas prometidas por Trump e garantir uma cúpula entre ele e o presidente Xi Jinping no G20 de novembro, em São Paulo.

"Os diálogos foram muito construtivos", afirmou um porta-voz do Tesouro americano após o primeiro dia de reuniões, neste sábado (25). A Malásia, neutra no conflito, foi escolhida como sede por sua posição estratégica no Sudeste Asiático e laços com ambos os lados. Especialistas alertam para impactos globais: uma escalada poderia elevar preços de eletrônicos, soja e aço em até 20%, afetando o Brasil como exportador.

Arrancam negociações comerciais entre China e EUA na Malásia ...

As conversas abordam temas como subsídios estatais chineses a veículos elétricos e restrições americanas a semicondutores. "É um alívio temporário, mas sem acordo concreto, o mundo sente o baque", diz a economista do FMI, Gita Gopinath. O Brasil, como maior parceiro comercial da China na América Latina, torce por estabilidade – especialmente com Lula defendendo o multilateralismo.

O que vem por aí?

  • Encontro Lula-Trump: Domingo (26), em Washington. Agenda inclui comércio bilateral e clima.
  • Eleições 2026: PT inicia articulações; oposição busca nome para sucedeu Bolsonaro.
  • G20 em SP: Xi e Trump confirmados; foco em desdolarização e IA.

Com agências internacionais e reportagens do G1.

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